quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Temática

      Naturalmente penso todo dia no que escrever e meio que me decepciono com as conclusoes tomadas...Me parece uma espécie de carma ou até mesmo de falta de criatividade que me persegue impedindo que desenvolva minhas vontades...Há quase tres semanas nao escrevo e isso muito me faz pensar. Será um período de transicao ou um período de finalizacao? Será que quando a minha dor passar nao terei eu mais vontade de me expressar, pois o que me consome e o que me incomodava nao fará mais parte de mim? Ou será apenas uma fase transitória e a partir de entao, minha escrita fluirá como as águas Amazonicas ou chuveirais?
     Neste momento a unica coisa que sei, é que acerca do futuro eu nada posso saber e ainda assim, o que passa pela minha cabeca é aquilo que eu nao sei explicar e que tira minha vontade na maioria das vezes.         
    Nao quero ser repetitivo e tampouco encher-lhes de preguica. Queria eu descrever aventuras, paisagens, sensacoes animadoras e perspectivas agradáveis, mas nesse momento o que vejo é o beco. O beco que me cega, me enfraquece, me adoece e que ainda me apetece...
    Se demoro a escrever e quando volto é para dizer-lhes a mesma coisa é porque algo neste momento está errado. Quero desculpar-me comigo por nao satisfazer plenamente minha vontade de escrever e quando levantar-me da cadeira que no momento me sustenta nao me fazer sentir agradado por essa escrita burocrática de prestacao de contas.
     Contra a burocracia dispensei as sinalizacoes que me demandariam mao-de-obra e quanto ao futuro eu espero a morte daquele que ainda persiste. Sei que nao morreria de fraco, pois eu mais do que ninguém sei como este sofre e luta por algo que nao existe mais, este morreria sim de atrevido por nao abrir mao e se arriscar como um alpinista pelo que julga ser teu paraíso...

Até logo...


                                                Morres de fraco? Morres de atrevido

Aflito coração, que o teu tormento,
Que os teus desejos tácito devoras,
E ao doce objeto, ás perfeições adoras,
Só te vás explicar co(m) pensamento.
Infeliz coração, recobra alento,
Seca as inúteis lágrimas, que choras;
Tu cevas o teu mal, porque demoras
Os vôos ao ditoso atrevimento.
Inflama surdos ais, que o medo esfria;
Um bem tão suspirado, e tão subido,
Como se há de ganhar sem ousadia?
Ao vencedor afoute-se o vencido;
Longe o respeito, longe a cobardia;
Morres de fraco? Morres de atrevido.

Bocage, Manuel Maria

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